sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Estou de preto

NUNCA DESISTA DOS SEUS SONHOS


Estou de preto.
Calça, sapato, blusa, óculos.
As meninas da recepção da clínica de shiatsu, que sempre me olham com certo ódio típico de mulheres que servem mulheres, me respeitam tímidas dessa vez.
Como se eu fosse velha ou aleijada.
Isso é um gozo dentro de mim.
Sofrer por amor é um gozo.
Me faz sentir superior porque carrego essa estrela negra.
E carrego esse céu escuro.
E esse cemitério de felicidades.
E poros que sangram em silêncio.
Tudo isso faz de mim um peso de papel.
E meus pensamentos não voam mais descompromissados e jovens e coloridos e destacáveis.
Eles se unem para, num bloco só, sentir sua falta.
Que é algo imenso demais pra se sentir sem estar toda.
E por isso, por eu ser agora um peso de papel de mim, as pessoas me velam tristes como se eu estivesse ligada a um soro ou como se eu estivesse acenando a elas, de longe, de um lugar devastado por alguma guerra ou vírus.
Como se, de dentro de um planeta que sofreu irradiação, eu acenasse protegida por vidros antes de virar pó químico.
Elas me olham como se eu fosse um peixe envenenado num aquário abandonado.
Ninguém me olha, na verdade, mas fantasio tudo isso e é de fato muito arrogante ter um peito apaixonado.
Pra que o peso do peito apaixonado não nos faça caminhar de ponta cabeças, empinamos com toda a força o coração.
Como se fossemos muito diferentes e especiais por estar assim.
O estado interessante.
A gravidez do peito.
O peito com alguém dentro.
Não se sinta mal por eu ficar doze horas do meu dia olhando um ponto invisível na parede.
Ou por eu gemer de leve quando chega a hora de eu acordar.
Ou pela dor nos meus ombros sempre me avisarem que será mais uma luta pra não ouvir a sua voz, a mais bonita voz que se tem notícias pelos ares do mundo.
Ou por eu segurar os instantes quando afundo na água, em segundos dramáticos de desistência.
Ou por eu ter sempre moleiras de lágrimas iluminando meus olhos.
Eu gosto disso.
Eu gosto de caminhar soberba e dura e pesada e arrastada e arranhada e retesada e ensanguentada pelas ruas.
Eu gosto de ser um escombro perambulando entre todos que não estão apaixonados por você e, só por isso, são inferiores a mim.
E de ver o vazio, o normal, o médio, as pessoas, e me sentir mais alta. Ou baixa. Mas sempre de outro lugar.
Eu gosto do coração barrigudo e disso me fazer imensa e cheia de você.
Implodida de você e sentindo as dores e as fumaças de andares que desabam quando você diz que agora só amanhã ou depois de amanhã ou nunca.
Pode até ser que outra pessoa te tenha agora andando pela casa e dormindo na cama e pegando uma água na geladeira.
Mas eu tenho você no meu fígado e rins e veias e artérias e sonhos e líquidos e células.
Eu gosto da lama viscosa escorrendo dos meus ouvidos.
E do sangue esguichando do meu nariz.
E dos rios infinitos jorrando dos meus olhos.
E do exagero e da histeria e da psicopatia e do delírio que é estar apaixonada.
E de eu ter doze anos e ter medo de morrer de tanta atrapalhação.
E de como todas as pessoas que já me deixaram assim são automaticamente zeradas quando eu sinto de novo.
E de como estar idiota assim parece novo e inexperiente porque sempre só se fica idiota assim pela primeira vez.
E do animal cabeceando a jaula até a cabeça, antes enorme e agora comprimida e amassada, passar pelo pequeno vão livre e conseguir ir até você.
E de como a gente se agarra a uma migalhinha de razão de areia flutuando num mar bravo.
E da mesa com cinco amigas preocupadas, me vendo chorar no restaurante, enquanto sorrio e choro de novo.
Eu gosto disso tudo, desse drama todo, dessa dor, das minhas olheiras, da minha face afundada pelo murro do amor.
Eu gosto como as músicas e os filmes e as praias e os livros e os silêncios e as nuvens e os abraços e a noite e tudo ficam gritantes e insuportáveis e brilhantes e verdadeiros.
De mim zumbi, do corpo que parece ter apanhado até cair inconsciente, do quase vomito ansioso e latejante no meio do peito.
Então não se preocupe.
Você já pode ir.
Não me lembro mais seu nome ou cheiro ou o que sinto quando sua mão esmaga minha pele arrepiada.
Eu sou um vampiro que sobrevive em beber o próprio sangue.
Eu só preciso das pessoas para que elas me salguem.
Me deixe assim e depois apenas me deixe.
Agora eu fico aqui, me bebendo até que eu perca novamente o gosto.
Tati Bernardi

Amor triste amor

Chega o momento que após o silencio é necessário desabafar...

Não é por ser um desabafo que vai realmente aliviar a alma e retirar do coração toda magoa e o ressentimento.

A tristeza! A nobre e singela tristeza me faz fiel companhia... As lagrimas fervilham e esquentam minha face no decorrer de todos os dias. Nunca em tempo algum desperdicei tanto liquido quanto nesses últimos meses.

Parece um sistema de contra peso... Quanto maior as minhas alegrias, maior é a minha tristeza.

A solidão me faz parceira no meu dia a dia! Que gloria! Eu... Um ser humano cheio de vida, sempre muito comunicativa, expressiva... Sempre rodeada por diversos seres humanos.

Eu e minha vida mais ou menos, porem centrada (ao meu modo).

Estou aqui à deriva da minha desilusão, acompanhada pela rotina da decepção, com o coração envolto de dor...

Pode-se dizer que é drama! É drama! Drama para quem não vivencia a minha dor!

Por amar eu sinto essa imensa tristeza!

Meu orgulho, minha autoestima, nada é maior do que a dor do desprezo...

As lembranças parecem um filme, sua imagem, o timbre da sua voz, nada sai do pensamento.

A esperança se perdeu pelo caminho...

O mundo foi ficando pequenino...

O coração está secando dia após dia e o tal do amor continua firme e forte, glamoroso a me espezinhar com a sua ausência.

A sensação é de mesquinhez e impotência diante dos fatos...

É pratico assim... Hoje eu te amo, amanhã talvez e depois de amanhã? Quem sabe outro dia a gente possa se encontrar... Porque simplesmente o amor passou, foi embora correndo, pois agora eu sou firme e forte! Sinto muito e adeus, eu estou muito bem e sigo enfrente, apenas troquei de sapatos, os calçados velhos a gente deixa a beira do caminho... Talvez alguém se interesse e venha a cuidar bem deles...

E como todo par de sapatos usado, estou eu aqui a beira do caminho, com meu couro maltratado, sem brilho, esperando a morte chegar, a banda passar, a tristeza me abandonar ou um cão terminar por me fazer de pinico... Isso se não resolver me estraçalhar com seus dentões!

E quem eu amo ao menos esse é feliz!

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Noite quente

Devido à falta de tempo faço um rascunho manuscrito e posteriormente venho a anexar o post...

Faz tempo que não utilizo o meu bloguinho para rabiscar meus conturbados pensamentos...

Mas...

São Paulo esta divina!

Que noite gostosa de calor!

Roupas leves, passeios desinteressados, corredores de rua com suas pernocas branquelas a mostra, pizzarias saborosas, Arnaldo Antunes a cantarolar... Até o malcheiroso cigarrinho está atraente!

Sem nenhuma pressa à noite pede uma cerveja gelada, kkk...

Um bom livro e a minha humilde companhia!

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Brasil que feio!




Brasil que feio!
Esse nosso lindo país infelizmente é precário em diversos aspectos...
Educação!
Eu tenho uma prova para fazer e estou em duvida quanto a língua portuguesa, pois ao que me parece eu preciso ser re-alfabetizada, para aprender como assassinar a língua portuguesa.
Segurança!
Hoje encerrei o dia com um ser humano armado fazendo a escolta (não era nenhum distinto homem de farda, pois esses nunca correspondem prontamente aos chamados dos que necessitam)... O papai noel veio e levou nossos objetos de trabalho, o coelhinho da pascoa já tinha passado alguns dias antes para recolher junto com os sete anões o resultado do empenho dos funcionários... Funcionários que assim como eu trabalham amedrontados, vitimas do descaso.
Os impostos a sociedade paga e o resultado do embrolho destes nossos governantes é um país cheio de absurdos!

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Eu não tenho medo de injeção


Eu não tenho medo de injeção!

Eu sinto pavor, fobia, desespero só de pensar na malfadada agulha...

É só uma picadinha, não vai doer nada... Vai furar outro ser humano monstrinho de jaleco branco, eu estou fora e quando posso eu corro... Prefiro não passar nem pela porta de hospital!

Agora fora os medos tradicionais; como medo de se machucar, sofrer um acidente (gato escaldado tem medo de agua fria), ser assaltada, medo básico da solidão (talvez, hihihi, estou aprendendo a conviver bem comigo mesma) e outros medos comuns...

Eu não estou classificada no rol dos medrosos! No quesito enfrentar a vida, erguer a cabeça, ajeitar as madeixas loiras, tropeçar, rsrs, estufar o peito (a armação do bojo ajuda a levantar a moral), choramingar um caminhão de baboseiras, aff... E seguir enfrente com determinação!

Eu caio, fico toda remendada, mas eu me levanto meio torta e sigo o meu caminho, gosto, ou seja, adoro me superar e surpreender...

Prefiro enfrentar as dificuldades e lutar, do que ficar trancafiada com os meus medos secretos e não usufruir das belezas que a vida tem para me oferecer. É um enorme desperdício ter amor e não amar, deixar passar as oportunidades, não se divertir, fugir da realidade e não aproveitar para seguir enfrente...

As dificuldades existem e devem ser enfrentadas para serem solucionadas. Eu possuo muita coragem e não tenho medo de viver.

O meu caminho é o sucesso!

terça-feira, 28 de junho de 2011

Não

Por diversas ocasiões eu gostaria de ser diferente, mas eu não sou!

Eu não consigo me sentar à mesa para almoçar e não dividir meu almoço com outro ser humano...

Quando observo o chororô da falta de contentamento diário, não me recuso a oferecer apoio ao ser choroso...

Fico sem o famigerado e necessário dinheiro, mas eu o empresto (mesmo estando ciente que não haverá retorno)...

Se paga um doce aqui, uma passagem de ônibus ali... Ninharias na realidade, mas se algum matemático (ou algum sovina) efetuar a soma gera um bom montante.

Eu não consigo efetuar determinadas recusas!

Fico satisfeita em presentear os seres queridos, gosto desse carinho (lembrar de uma data comemorativa).

Tem aqueles seres humanos que aproveitam para se beneficiar da benevolência alheia.

Eu não me preocupo e acredito que não serei prejudicada por conta de não usar o não com constância.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Buraco negro

Em algumas ocasiões na vida o ser humano se encontra em um buraco sem iluminação, profundo, gélido e vazio (com odor indefinido)... Não estou me referindo a nenhum tipo de palavreado esdruxulo, daqueles usuais em determinadas situações...

Estou me referindo ao orifício interno que habita e polui nosso cérebro junto com um grande cão negro... A tristeza que anda articulada com a solidão e a decepção... Somando, subtraindo, dividindo ou multiplicando temos a depressão como parceira destes dias cinza (nunca gostei de dias cinza, tristes e apáticos, me recorda um antigo chefe que olhava pela janela do prédio e falava dia feio!).

É muito complicado saber agir para não se deparar com está dissimulada estrategista... Pois, seguimos caminhos que por diversas vezes parecem estar corretos e sem nenhuma eminencia nos deparamos como um abismo que nos leva ate a companhia desoladora da amarga tristeza profunda...

Como poder explicar algo delicado e complexo como o cérebro e o sentimento humano...

É necessário soltar um grande palavrão para exprimir um pouquinho do foda-se interno... Cacete!

domingo, 12 de junho de 2011

Dia dos namorados

As sem-razões do amor

Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.
Carlos Drummond de Andrade

Ternura

Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor
seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentando
Pela graça indizível
dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura
dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer
que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas
nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras
dos véus da alma...
É um sossego, uma unção,
um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta,
muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite
encontrem sem fatalidade
o olhar estático da aurora.
Vinícius de Moraes

Dia dos namorados

As sem-razões do amor

Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.
Carlos Drummond de Andrade