segunda-feira, 15 de novembro de 2010

O comodismo é conveniente

É inquietante quando saímos da zona de conforto e adentramos em outro habitat...

Os olhos com o tempo acabam se habituando a cenas esdrúxulas e as paisagens grotescas.

A convivência com as diferentes tribos com seus trejeitos, sotaque, dialetos e cultura é conflitante... Ver e ouvir impropérios torna-se aterrorizante.

É necessário um auto monitoramento para não fazer como outros seres viventes, que reclamam da triste sorte e não tem iniciativa para modificar a situação.

O ato de não se acostumar auxilia a manter as idéias lúcidas para buscar soluções praticas.

Mudar

Para ser honesta e não somente sincera, eu nos últimos meses venho passando por diversas mudanças...

Mudei de casa e como se não fosse o suficiente, mudei de bairro e de cidade. Tudo foi feito sem haver uma real necessidade, rs.

Mudei de vizinhança, mudei de emprego...

Eu sinto saudades. Efetuei mudanças as quais não me agradam, mas eu estava consciente a respeito das divergências.

Mudei o cabelo! O pobre está lutando para se recuperar...

Enfim mudei de vida.

Ate pareço um ser humano descente rs...

Parei de fumar, de beber, de sair para a balada!

Tenho um relacionamento maduro e solido com um ser humano muito admirável, que eu amo muito.

Meu emprego atual é fixo! Nada de temporário no meu currículo.

Os amigos verdadeiros não mudaram continuam guardados no meu coração! Fiz novas amizades, mas nada como a mesma intensidade.

Sinto falta, dos meus amigos e dos colegas, mas é saudade.

Pelo detalhe de não gostar do local e da civilização ao meu redor, tenho sentido um comichão típico do meu ser interior (e não são gazes)... A idéia de ser nômade é intrigante...

Eu procuro ir contra essa vontade de viajar para longe de tudo e de todos... Porem, viajar, passar uns três meses longe de tudo e de todos é reconfortante!

Pesos e medidas

Cada ser humano possui um conceito básico referente à opinião. Cada qual possui e faz uso de um sistema próprio de medidas para expor ou abster as próprias idéias.

É complicado demonstrar opinião, sentimentos, idéias quando não se usa um mesmo parâmetro. E cada ser humano subtende os fatos como melhor lhe convém.

O egoísmo humano não permite a visualização das necessidades e das dificuldades alheias. Tornando a convivência que deveria ser pacifica em uma arena de debates falsos, mendigando a benevolência dos ignorantes que se escondem atrás da prepotência e da arrogância.

O que se tem como preceito de respeito funciona como válvula de escape para maltratar e humilhar os que se atrelam ao seu redor, em troca da auto-suficiência.

Ressurgindo

Falta-me tempo para relaxar e usufruir dos benefícios de compartilhar pequenas partes dos meus devaneios diários... Mas, rsrs... Hoje eu consegui apesar do sono que prevalece fiel companheiro. Ultimamente, eu estou muito cansada, tanto que consigo dormir adequadamente. Tenho em mente que alguns seres humanos (é o meu caso) sentem-se satisfeito quando são produtivos. O trabalho apetece o meu dia a dia.

Tenho muito que relatar, mas com o passar do tempo as idéias se apagam e puft perde-se mais um post mágico recheado de tolices!

Eu plagiei

Quanto vale um "sim"


Você consegue um bom emprego na hora que bem entende? Você descola um amor do dia para a noite? Entra num banco e sai de lá com um empréstimo sem burocracia? Se você respondeu sim a todas estas perguntas, parabéns, e fique atento para o horário de partida do seu disco voador, pois, a qualquer momento, você terá que voltar para o seu planeta!

Entre nós, terrestres, o sim é uma resposta rara. Na maioria das vezes, não há vagas, não querem editar nossos poemas, não temos fiador, a garota não quer ouvir os discos em sua casa, o garoto não quer usar camisinha e o guarda de trânsito não foi com a sua cara e vai multá-lo sim senhor. Não está fácil pra ninguém.

Ao contrário do que possa parecer, esta não é uma visão pessimista da vida. As coisas são assim, dão certo e dão errado. Pessimismo é acreditar que um "não" seja uma barreira para realizar nossos planos. Tem gente que fica paralisado diante de um não, nunca mais vai à luta. Já o otimista resmunga um pouco e, em seguida, respira fundo e segue em frente.

Quando eu tinha uns dezessete anos, mandei meus versos para um concurso de poesia. Não ganhei nem menção honrosa. Daí, entreguei meus versos para o Mário Quintana avaliar. Ele não respondeu. Neste meio tempo, eu estava apaixonada por um cara e ignorava minha existência. Quando eu não estava pensando nele, fazia planos de morar sozinha, mas o meu estágio não era remunerado.

Aí, quis viajar para a Europa, mas não conseguira entrar num programa de intercâmbio. Surpreendentemente, não passou pela cabeça a idéia de me atirar embaixo de um caminhão.

Hoje tenho nove livros publicados, cinco deles de poesia, sou casada com o homem que amo, tenho a profissão dos sonhos e viajo uma vez por ano, e tudo isso sem ganhar na mega-sena, sem cirurgia plástica, sem pistolão ou pacto com o demônio. O segredo: cada "não" que eu recebi na vida, entrou por um ouvido e saiu pelo outro. Não os colecionei, não foram sobrevalorizados; esperei sem pressa a hora do "sim".

O "não" é tão freqüente, que chega a ser banal. O "não" é inútil, serve só pra fragilizar nossa auto-estima. Já o "sim" é transformador. O "sim" muda sua vida. "'Sim', aceito casar com você"; "'sim', você foi selecionado"; "'sim', vamos patrocinar sua peça"; "'sim', Ana Paula Arósio deu o número do celular dela".

Quando não há o que detenha você, as coisas começam a acontecer sim.



Martha Medeiros