quarta-feira, 30 de março de 2011

Respeitável público... Apresento a Pulga

A pulga costuma se hospedar na região auricular de alguns seres humanos, na parte externa inferior do lóbulo… Ou seja, para ser mais especifica e nada científica, a pulga costuma morar atrás da orelha. É um ser humilde que se contenta com uma residência de poucos centímetros... Mas, normalmente, ocupa mais espaço do que o estabelecido para a sua moradia.

Quando nada perturba a pulga, ela costuma hibernar por horas, dias e até meses, mas se você bobear e der uma cutucada na pulga… Hihi... Acaba a paz!

Não da para definir a pulga como amante, ex-namorada, piriguete ou algo do gênero... Mas, a pulga será a terceira presença no seu relacionamento… Uma vez cutucada, a pulga estará o tempo inteiro entre vocês!

Nada passará despercebido aos questionamentos da pulga... Que vai inventar as mais terríveis hipóteses para que você viva em constante sinal de alerta.

Em certas ocasiões você acha que ela desapareceu, mas na verdade a criatura foi só tomar um café, ou fumar um cigarro e em instantes já está de volta.

Você não percebe, mas faz da pulga a sua companhia constante e permite que a pulga de pitaco em outras áreas da sua vida.

Se você for fazer compras fica esperando ela te dizer qual modelito é mais bonito... No salão, a pulga da palpite na cor do seu esmalte...

A pulga te domina!

Os momentos com o seu amado, agora são sempre divididos com este ser que não admite ser ignorado e que se sente feliz em estar no comando deste triângulo amoroso (atormentando).

A pulga age discretamente e é rápida... A pulga se transforma no centro das atenções. Começa dando opinião no que você vai pedir no restaurante... E sorrateira a safada chega ao ponto de estragar a sua noite.

Às vezes você se dá conta de que a intimidade deve ter um limite na fronteira da impertinência e esbraveja expulsando a pulga…

A pulga disfarça, pendura a trouxa de roupas nas costas e finge ir embora... Mas... A pulga sabe que você é sentimental… E antes que a pulga desapareça por completo, você a convida novamente... A pulga se reinstala.

Permanece no local vinte quatro horas do seu dia ditando os pensamentos e enchendo a sua cabeça de dúvidas e desconfianças. Por mais que você tente, não consegue se livrar do domínio que esta senhora exerce sobre você. (Se a pulga tiver um currículo, é certeza que constará experiência profissional em delegacias de furtos e homicídios. Deve ser alguma investigadora aposentada que ainda faz alguns freelas.).

O fato é que você começa a dar tanta atenção e importância a este ser insignificante (mas de um poder inquestionável), que acaba esquecendo da terceira e mais importante pessoa do relacionamento... O seu parceiro!

Existem casais que terminam o relacionamento por conta da intervenção cruel desta meliante.

Os seres humanos demoram a perceber que a pulga está instalada em um corpo que não lhe pertence, que está ditando regras que não deve e que está sendo obedecida de forma estúpida e irreparável.

Se você hospeda este tipo de inquilino indesejável… Despeje-a imediatamente. Pois, para que a pulga se vá, não resolve contratar advogados ou empresas de dedetização…

Somente você pode expulsa-la definitivamente.

Ainda a tempo de dar o seu grito de liberdade e recuperar a paz!

Mande essa terrorista ir embora…

Mande a pulga para a ponte que pariu!

Internet, computador e eu.

Tudo junto e misturado.

Tudo louco!

segunda-feira, 21 de março de 2011

CHEFA É CHEFA

A TUA CHEFE SAI MAIS CEDO DO TRABALHO?

Num escritório trabalhavam três mulheres que tinham uma chefe. Todo dia elas notavam que a chefe saía mais cedo.
Um dia todas decidiram que, quando a chefe saísse, elas fariam mesmo. Afinal, depois de sair, a chefe nunca mais voltava, nem dizia mais nada, por isso estariam seguras.
E porque é que também não poderiam ir para casa mais cedo?


A morena ficou absolutamente radiante por ir para casa mais cedo. Pode tratar um pouco do jardim, passar algum tempo a brincar com o filho, e foi para a cama mais cedo.

A ruiva ficou também deliciada com esse tempinho extra. Aproveitou para uma curta aula no ginásio antes de se preparar para um encontro ao jantar.

A loura ficou contente por chegar a casa mais cedo e surpreender o marido, mas quando chegou ao quarto, ouviu vários sons abafados.

Abrindo a porta lenta e silenciosamente, ficou mortificada por ver o marido com a sua chefe em grande ação na cama!

Suavemente fechou de novo a porta e saiu da casa.


No dia seguinte, durante uma pausa para o café, a morena e a ruiva planejavam sair de novo mais cedo e perguntaram à loura se ela queria fazer o mesmo.

- Nem pensar! - respondeu - Ontem quase a chefe me pega!

sexta-feira, 18 de março de 2011

Quar enta

Visita de rotina aos médicos.Todo ano a mesma peregrinação: mastologista, ginecologista, oftalmologista, dentista...



Mas, um dia, resolvi incluir um "ISTA" novo em minha odisséia... Um DERMATOLOGISTA.



Já era hora de procurar uns creminhos mágicos para tentar retardar ao máximo as marcas da inevitável entrada nos ENTA.



Na verdade, sentia-me espetacular. Tudo certo. Ninguém podia cantar para mim a ridícula frase da Adriana Calcanhoto, "nada ficou no lugar..." Mas, não sei o que deu no espelho lá de casa, que resolveu, do dia para a noite, tomar ares de conto de fadas.

Aliás, de bruxas. E deu de mostrar coisinhas que nunca haviam aparecido (ou, antes, eu não havia notado!) Pontinhos azuis nos tornozelos, pintinhas negras no colo, nos braços, bolinhas vermelhas na bunda... olheiras mais profundas...

Como assim??? Assim... Sem aviso prévio nem nada.

De repente, o idiota resolveu mostrar e pronto.




Ah, não! Isso não vai ficar assim. Um "ista" novo na lista do convênio. O melhor. Queria o melhor especialista de todos os "istas"!

Achei. Marquei. E fui tão nervosa quanto para um encontro 'bem intencionado', daqueles em que a gente escolhe a roupa íntima com cuidado, que é pra não fazer feio... nem parecer que foi uma escolha proposital... sabe como é que é, não?

Pois sim. O sujeito era um dermatologista famoso. Via e cutucava a pele de toda a nata feminina e masculina da cidade...
Assim, me armei de humildade. Disposta a mostrar cada defeitinho novo que estava observando, através do maquiavélico e ex-amigo espelho de meu quarto.

Depois de fazer uma ficha com meus dados, o 'doutor' me olhou finalmente nos olhos, e perguntou: Qual o motivo de sua consulta? Fiquei vermelha como um tomate. E muda.

Ele sorriu e esperou.
Quase de olhos fechados, desfiei minhas queixas...
Ele observou, 'in loco', cada uma delas, com uma luz de 200 watts e uma lupa...E começou o seu diagnóstico:




1- 'As pintinhas são sinais do sol, por todo o sol que já tomou na vida. Com a IDADE (tóin!), elas vão aparecendo, cada vez mais numerosas. Vai precisar de um protetor solar para sair de casa pela manhã, mesmo sem ir à praia. Para dirigir inclusive. Braços,

pernas e rosto e pescoço. E praia? Evite. Só das 6 às 10 da manhã, sob proteção máxima, guarda-sol, óculos escuros e chapéu. Bronzear-se, nunca mais.'




- Ahmmm... (a turma só chega às 11 h!!!!)




2 - 'Os pontinhos azuis são pequenos vasos que não suportam a pressão do corpo nos saltos altos. Evite. Use sapatos com solado anabela ou baixos, de preferência. Compre uma meia elástica Kendall, para quando tiver que usar saltos altos.




- Ahmmm... (Kendall??? E as minhas preciosas sandalinhas???)



3- 'As bolinhas na bunda são normais, por causa do calor. Para evitá-las use mais saias que calças. Evite o jeans e as calcinhas de lycra. As de algodão puro são as melhores... E folgadas...'




- Ahmnunght?? ?? (e pude 'ver' as "samba-canções" de minha mãe, enormes na cintura, de florzinhas cor de rosa... vou cortar os pulsos!).




4- 'As olheiras são de família. Não há muito que fazer. Use esse creminho à noite, antes de dormir e procure não dormir tarde. Alimentação leve, com muitas frutas e verduras, pouca carne e muito peixe. Nada de cigarro, nem álcool... Nem café.'



E, então, a histérica aqui começou a rir descontroladamente... Agradeci, peguei suas receitinhas e saí rindo, rindo... Me dobrando de tanto rir!



No carro comecei a falar sozinha... Tudo o que deveria ter dito ao médico e não disse:



'Trabalho muito, doutor,... muitas noites vou dormir às 2 horas da matina, escrevendo e lendo. Bebo e fumo. Tomo café. Saio nas noites de boemia com os amigos e seus violões para as serenatas de lua cheia... E que noitadas!!!!




Adoro os saltos, principalmente nas sandálias fininhas. Impossível a meia elástica (argh!!). Calcinhas de algodão? E folgadas??? Adoro as justinhas e rendadas... E não abandono meu jeans nem sob ameaça de morte!!! É meu melhor amigo!!!!




Dormir lambuzada? Nesse calor? E minhas duchas frias com sabonete Johnson para ficar fresquinha como um bebê, cada noite? E nada de praia??? O senhor está louco é??? Endoidou de vez, foi??? Moro no Recife, com esse marzão e tudo... E tenho só 40 anos... Meia vida inteira pela frente!!!




Doutor Fulustreco, na minha idade não vou viver como se tivesse feito trinta anos em um!!! Até um dia desses tinha 39... E agora, em vez de 40, estou fazendo 70???*




Inclua aí na sua lista de remédios... para as de 40 a 60, "média-luz"... Acho que é só disso que eu preciso. Um bom abajur com uma luz de 15 watts... E um namorado que use óculos... É isso... só isso!!! Entendeu????



Parei no sinal e olhei de lado... e um cara de uns 25 anos piscou o olhou para mim. Ah... e ele nem usava óculos!



Nunca fiz o que me recomendou o fulustreco "ista"... Minhas olheiras valem o que faço pelas noites adentro... Ah!!! como valem!




As bolinhas da bunda desapareceram com uma solução caseira de vitamina A, que quase todas as mulheres usavam e eu não sabia, até que contei minha historinha do 'bruxo mau'.




Os sinaizinhos estão aqui... sem grandes alardes... e até que já acho bonitinho.



O espelho é muito menor... o outro, eu doei à minha filha.*



Meu namorado diz que estou cada dia mais linda! Principalmente quando estou de saltos e rendas, disposta a encarar uma noite de vinhos e música. É claro que ele usa óculos. Mas quando quero ficar fatal, tiro seus óculos... e acendo o abajur.



"No mundo sempre existirão pessoas que vão te amar pelo que você é... e outras, que vão te odiar pelo mesmo motivo. Acostume-se!"



O melhor "ista" é ser otimISTA!!!




(Autoria desconhecida)

quinta-feira, 17 de março de 2011

Louca a deriva em estado de eclosão

Sabe-se lá como realmente explicar determinados fenômenos...

Mas... Os sintomas são acompanhados de vontades súbitas...

É primordial repaginar as madeixas para evitar a fadiga!

Sem constrangimento, eu não sei se é usual o batom vermelho nesta estação! Rs... Mas... Vou comprar um belo bastonete de cera labial vermelho!

Viajar... Hum... Eu amo viajar! Mas vontade não mata e não engorda!

Viajar, eu não consigo... Ou será que eu posso?! Rs...

Dar aquele up no visual! Estou providenciando...

Foi dada a largada ao inicio de pequenas caminhadas... Ops! Noturnas! Uma excelente idéia!

E foi notável pela primeira vez ao longo destes trinta e poucos (6) anos, rsrs, devorar um pacote de biscoito waffer sozinha!

Sensação estranha está de devorar um pacote de biscoitos! Porem, a probabilidade de este ato insano voltar a ocorrer é irrisória... Quem sabe possa acontecer em torno dos próximos trinta e seis anos...

Após um dia de reclusão diária e de muita reflexão as idéias borbulham dentro desta pequena caixa craniana.

Alguns seres humanos se fecham e não expressão seus sentimentos, emoções ou pensamentos... Eu para desespero geral não consigo ficar fechada, passei ate super bonder na boca (no sentido figurativo)...

O total isolamento e a reclusão são deprimentes e não combinam com o meu ser jovial.

A tristeza somada com a depressão pode ocasionar rugas. Aff...

Muitos planos, ou seja, planejamentos...

E a louca que não é dada a regalias dos infortúnios escabrosos como derrotas e atitudes depressivas, se despoja do asco dos desafortunados e sacode a poeira, arranca a teia de aranha, elimina o mofo e chuta o balde dando um passa fora nas atitudes negativas.

Estou com vontade de incendiar o planeta... Aí que vontade de plantar ou de colher girassol... Vontade de pintar quadros... Vontades que vem do nada... A vontade de escrever baboseiras no blog passou... Mas a vontade gostosa é a de abraçar um ser humano lindo, que eu amo... A vontade de ler livros é sempre sanada com outro livro...

Vontade de dormir, mas a dona insônia continua como fiel companheira da ilustre figura!

A ostra se abre loira e louca!

Sou composta

‎"Sou composta por urgências:
minhas alegrias são intensas;
minhas tristezas, absolutas.
Entupo-me de ausências,
Esvazio-me de excessos.
Eu não caibo no estreito,
eu só vivo nos extremos.

Pouco não me serve,
médio não me satisfaz,
metades nunca foram meu forte!

Todos os grandes e pequenos momentos,
feitos com amor e com carinho,
são pra mim recordações eternas.
Palavras até me conquistam temporariamente...
Mas atitudes me perdem ou me ganham para sempre.

Suponho que me entender
não é uma questão de inteligência
e sim de sentir,
de entrar em contato...
Ou toca, ou não toca.”
Clarisse Lispector

O importante

O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós.
Jean-Paul Sartre

domingo, 13 de março de 2011

Pela luz dos olhos teus

Quando a luz dos olhos meus
E a luz dos olhos teus
Resolvem se encontrar
Ai que bom que isso é meu Deus
Que frio que me dá o encontro desse olhar
Mas se a luz dos olhos teus
Resiste aos olhos meus só p'ra me provocar
Meu amor, juro por Deus me sinto incendiar
Meu amor, juro por Deus
Que a luz dos olhos meus já não pode esperar
Quero a luz dos olhos meus
Na luz dos olhos teus sem mais lará-lará
Pela luz dos olhos teus
Eu acho meu amor que só se pode achar
Que a luz dos olhos meus precisa se casar.
Vinícius de Moraes

Sorri

Sorri quando a dor te torturar
E a saudade atormentar
Os teus dias tristonhos vazios

Sorri quando tudo terminar
Quando nada mais restar
Do teu sonho encantador

Sorri quando o sol perder a luz
E sentires uma cruz
Nos teus ombros cansados doridos

Sorri vai mentindo a sua dor
E ao notar que tu sorris
Todo mundo irá supor
Que és feliz
Charles Chaplin

Para ser feliz

Não preciso me drogar para ser um gênio;
Não preciso ser um gênio para ser humano;
Mas preciso do seu sorriso para ser feliz.
Charles Chaplin

Recuso-me

Recuso-me a ficar triste. Sejamos alegres. Quem não tiver medo de ficar alegre e experimentar uma só vez sequer a alegria doida e profunda terá o melhor de nossa verdade. Eu estou- apesar de tudo oh apesar de tudo- estou sendo alegre neste instante-já que passa se eu não fixá-lo com palavras [..]
Clarice Lispector

Bom humor

O bom humor espalha mais felicidade que todas as riquezas do mundo. Vem do hábito de olhar para as coisas com esperança e de esperar o melhor e não o pior.
Alfred Montapert

Três coisas

"Nesta vida pode-se aprender três coisas de uma criança:
Estar sempre alegre;
nunca ficar inativo;
e, chorar com força por tudo aquilo que se quer."
Paulo Leminski

Assim é e assim seja

... Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se
-Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E quando haja rochedos e erva...
O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja...
Fernando Pessoa

Por que

Por que será?
Por que será
Que eu ando triste por te adorar
Por que será
Que a vida insiste em se mostrar
Mais distraída dentro de um bar
Por que será
Por que será
Que o nosso assunto já se acabou
Por que será
Que o que era junto se separou
E o que era muito se definhou
Por que será
Eu quantas vezes me sento à mesa de algum lugar
Falando coisas só por falar
Adiando a hora de te encontrar
É muito triste quando se sente tudo morrer
E ainda existe o amor que mente para esconder
Que o amor presente não tem mais nada para dizer
Vinícius de Moraes

Retrato

"Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
Em que espelho ficou perdida a minha face?"
Cecília Meireles

Eu

Eu triste sou calada
Eu brava sou estúpida
Eu lúcida sou chata
Eu gata sou esperta
Eu cega sou vidente
Eu carente sou insana
Eu malandra sou fresca
Eu seca sou vazia
Eu fria sou distante
Eu quente sou oleosa
Eu prosa sou tantas
Eu santa sou gelada
Eu salgada sou crua
Eu pura sou tentada
Eu sentada sou alta
Eu jovem sou donzela
Eu bela sou fútil
Eu útil sou boa
Eu à toa sou tua.
Martha Medeiros

Ai de quem ama

Quanta tristeza
Há nesta vida
Só incerteza
Só despedida

Amar é triste
O que é que existe?
O amor

Ama, canta
Sofre tanta
Tanta saudade
Do seu carinho
Quanta saudade

Amar sozinho
Ai de quem ama
Vive dizendo
Adeus, adeus
Vinícius de Moraes

Dialética

É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz
Mas acontece que eu sou triste...
Vinícius de Moraes

Tudo vai mudar

A vida me ensinou a dizer adeus às pessoas que amo, sem tirá-las do meu coração,sorrir às pessoas que não gostam de mim, para mostrá-las que sou diferente do que elas pensam,calar-me para ouvir, aprender com meus erros,afinal, eu posso ser sempre melhor!
Fazer de conta que tudo está bem quando isso não é verdade,
Para que eu possa acreditar que tudo vai mudar,a abrir minhas janelas para o amor.E não temer o futuro,A lutar contra as injustiças.Sorrir quando o que mais desejo é gritar todas as minhas dores para o mundo.
Fazer de conta que tudo está bem quando isso não é verdade.Para que eu possa acreditar que tudo vai mudar.
Charles Chaplin

Calculo

Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil.
Clarice Lispector

Conclusões de Aninha

Estavam ali parados. Marido e mulher.
Esperavam o carro. E foi que veio aquela da roça
tímida, humilde, sofrida.
Contou que o fogo, lá longe, tinha queimado seu rancho,
e tudo que tinha dentro.
Estava ali no comércio pedindo um auxílio para levantar
novo rancho e comprar suas pobrezinhas.


O homem ouviu. Abriu a carteira tirou uma cédula,
entregou sem palavra.
A mulher ouviu. Perguntou, indagou, especulou, aconselhou,
se comoveu e disse que Nossa Senhora havia de ajudar
E não abriu a bolsa.
Qual dos dois ajudou mais?


Donde se infere que o homem ajuda sem participar
e a mulher participa sem ajudar.
Da mesma forma aquela sentença:
"A quem te pedir um peixe, dá uma vara de pescar."
Pensando bem, não só a vara de pescar, também a linhada,
o anzol, a chumbada, a isca, apontar um poço piscoso
e ensinar a paciência do pescador.
Você faria isso, Leitor?
Antes que tudo isso se fizesse
o desvalido não morreria de fome?
Conclusão:
Na prática, a teoria é outra
Cora Coralina

O que quer uma mulher

Um bebê nasce. O médico anuncia: é uma menina! A mãe da criança,
então, se põe a sonhar com o dia em que a sua princesinha terá um
namorado de olhos verdes e casará com ele, vivendo feliz para sempre.
A garotinha ainda nem mamou e já está condenada a dilacerar corações.
Laçarotes, babados, contos de fadas: toda mulher carrega a síndrome de
Walt Disney.
Até as mais modernas e cosmopolitas têm o sonho secreto de encontrar
um príncipe encantado. Como não existe um Antonio Banderas para todas,
nos conformamos com analistas de sistemas, gerentes de marketing,
engenheiros mecânicos. Ou mecânicos de oficina mesmo, a situação não
anda fácil. Serão eles desprezíveis? Que nada. São gentis, nos ajudam
com as crianças, dão um duro danado no trabalho e têm o maior prazer
em nos levar para jantar. São príncipes à sua maneira, e nós,
cinderelas improvisadas, dizemos sim! sim! sim! diante do altar; mas,
lá no fundo, a carência existencial herdada no berço jamais será
preenchida.
Queremos ser resgatadas da torre do castelo. Queremos que o nosso
pretendente enfrente dragões, bruxas, lobos selvagens. Queremos que
ele sofra, que vare a noite atrás de nós, que faça tudo o que o José
Mayer, o Marcelo Novaes e o Rodrigo Santoro fazem nas novelas.
Queremos ouvir "eu te amo" só no último capítulo, de preferência num
saguão de aeroporto, quando ele chegará a tempo de nos impedir de
embarcar.
O amor na vida real, no entanto, é bem menos arrebatador. "Eu te amo"
virou uma frase tão romântica quanto "me passa o açúcar". Entre
casais, é mais fácil ouvir eu "te amo" ao encerrar uma ligação
telefônica do que ao vivo e a cores. E fazem isso depois de terem se
xingado por meia-hora. "Você vai chegar tarde de novo? Tenha a santa
paciência, o que é que você tanto faz nesse escritório? Ontem foi a
mesma coisa, que inferno! Eu é que não vou prepar o jantar para você
às dez da noite, te vira. Tchau, também te amo." E batem o telefone
possessos.
Sim, sabemos que a vida real não combina com cenas hollywoodianas.
Sabemos que há apenas meia dúzia de castelos no mundo, quase todos
abertos à visitação de turistas. Sabemos que os príncipes, hoje, andam
meio carecas, usam óculos e cultivam uma barriguinha de chope. Não são
heróicos nem usam capa e espada, mas ao menos são de carne e osso, e a
maioria tentaria nos resgatar de um prédio em chamas, caso a escada
magirus alcançasse o nosso andar. Não é nada, não é nada, mas já é
alguma coisa.
Dificilmente um homem consegue corresponder à expectativa de uma
mulher, mas vê-los tentar é comovente. Alguns mandam flores, reservam
quarto em hotéizinhos secretos, surpreendem com presentes, passagens
aéreas, convites inusitados. São inteligentes, charmosos, ousados,
corajosos, batalhadores.
Disputam nosso amor como se estivessem numa guerra, e pra quê? Tudo o
que recebem em troca é uma mulher que não pára de olhar pela janela,
suspirando por algo que nem ela sabe direito o que é. .........
Perdoem esse nosso desvio cultural, rapazes. Nenhuma mulher se sente
amada o suficiente.
Martha Medeiros

A libertação da mulher

A "libertação da mulher" numa sociedade escravista como a nossa deu nisso: Superobjetos. Se achando livres, mas aprisionadas numa exterioridade corporal que apenas esconde pobres meninas famintas de amor, carinho e dinheiro.
São escravas aparentemente alforriadas numa grande senzala sem grades.
Mas, diante delas, o homem normal tem medo.
Elas são "areia demais para qualquer caminhãozinho".
Por outro lado, o sistema que as criou enfraquece os homens.
Eles vivem nervosos e fragilizados com seus pintinhos trêmulos, decadentes, a meia-bomba, ejaculando precocemente, puxando sacos, lambendo botas, engolindo sapos, sem o antigo charme "jamesbondiano" dos anos 60.
Não há mais o grande "conquistador".
Arnaldo Jabor

Uma Mulher Chamada Guitarra

UM DIA, casualmente, eu disse a um amigo que a guitarra, ou violão, era "a música em forma de mulher". A frase o encantou e ele a andou espalhando como se ela constituísse o que os franceses chamam um mot d'esprit. Pesa-me ponderar que ela não quer ser nada disso; é, melhor, a pura verdade dos fatos.

0 violão é não só a música (com todas as suas possibilidades orquestrais latentes) em forma de mulher, como, de todos os instrumentos musicais que se inspiram na forma feminina — viola, violino, bandolim, violoncelo, contrabaixo — o único que representa a mulher ideal: nem grande, nem pequena; de pescoço alongado, ombros redondos e suaves, cintura fina e ancas plenas; cultivada, mas sem jactância; relutante em exibir-se, a não ser pela mão daquele a quem ama; atenta e obediente ao seu amado, mas sem perda de caráter e dignidade; e, na intimidade, terna, sábia e apaixonada. Há mulheres-violino, mulheres-violoncelo e até mulheres-contrabaixo.

Mas como recusam-se a estabelecer aquela íntima relação que o violão oferece; como negam-se a se deixar cantar, preferindo tornar-se objeto de solos ou partes orquestrais; como respondem mal ao contato dos dedos para se deixar vibrar, em benefício de agentes excitantes como arcos e palhetas, serão sempre preteridas, no final, pelas mulheres-violão, que um homem pode, sempre que quer, ter carinhosamente em seus braços e com ela passar horas de maravilhoso isolamento, sem necessidade, seja de tê-la em posições pouco cristãs, como acontece com os violoncelos, seja de estar obrigatoriamente de pé diante delas, como se dá com os contrabaixos.

Mesmo uma mulher-bandolim (vale dizer: um bandolim), se não encontrar um Jacob pela frente, está roubada. Sua voz é por demais estrídula para que se a suporte além de meia hora. E é nisso que a guitarra, ou violão (vale dizer: a mulher-violão), leva todas as vantagens. Nas mãos de um Segovia, de um Barrios, de um Sanz de la Mazza, de um Bonfá, de um Baden Powell, pode brilhar tão bem em sociedade quanto um violino nas mãos de um Oistrakh ou um violoncelo nas mãos de um Casals. Enquanto que aqueles instrumentos dificilmente poderão atingir a pungência ou a bossa peculiares que um violão pode ter, quer tocado canhestramente por um Jayme Ovalle ou um Manuel Bandeira, quer "passado na cara" por um João Gilberto ou mesmo o crioulo Zé-com-Fome, da Favela do Esqueleto.

Divino, delicioso instrumento que se casa tão bem com o amor e tudo o que, nos instantes mais belos da natureza, induz ao maravilhoso abandono! E não é à toa que um dos seus mais antigos ascendentes se chama viola d'amore, como a prenunciar o doce fenômeno de tantos corações diariamente feridos pelo melodioso acento de suas cordas... Até na maneira de ser tocado — contra o peito — lembra a mulher que se aninha nos braços do seu amado e, sem dizer-lhe nada, parece suplicar com beijos e carinhos que ele a tome toda, faça-a vibrar no mais fundo de si mesma, e a ame acima de tudo, pois do contrário ela não poderá ser nunca totalmente sua.

Ponha-se num céu alto uma Lua tranqüila. Pede ela um contrabaixo? Nunca! Um violoncelo? Talvez, mas só se por trás dele houvesse um Casal. Um bandolim? Nem por sombra! Um bandolim, com seus tremolos, lhe perturbaria o luminoso êxtase. E o que pede então (direis) uma Lua tranqüila num céu alto? E eu vos responderei; um violão. Pois dentre os instrumentos musicais criados pela mão do homem, só o violão é capaz de ouvir e de entender a Lua.
Vinícius de Moraes

Mulher Boazinha

Qual o elogio que uma mulher adora receber?
Bom, se você está com tempo, pode-se listar aqui uns setecentos:
mulher adora que verbalizem seus atributos, sejam eles físicos ou morais.
Diga que ela é uma mulher inteligente, e ela irá com a sua cara.
Diga que ela tem um ótimo caráter e um corpo que é uma provocação,
e ela decorará o seu número.
Fale do seu olhar, da sua pele, do seu sorriso, da sua presença de espírito,
da sua aura de mistério, de como ela tem classe:
ela achará você muito observador e lhe dará uma cópia da chave de casa.
Mas não pense que o jogo está ganho: manter o cargo vai depender da sua
perspicácia para encontrar novas qualidades nessa mulher poderosa, absoluta.
Diga que ela cozinha melhor que a sua mãe,
que ela tem uma voz que faz você pensar obscenidades,
que ela é um avião no mundo dos negócios.
Fale sobre sua competência, seu senso de oportunidade,
seu bom gosto musical.
Agora quer ver o mundo cair?
Diga que ela é muito boazinha.
Descreva aí uma mulher boazinha.
Voz fina, roupas pastel, calçados rente ao chão.
Aceita encomendas de doces, contribui para a igreja,
cuida dos sobrinhos nos finais de semana.
Disponível, serena, previsível, nunca foi vista negando um favor.
Nunca teve um chilique.
Nunca colocou os pés num show de rock.
É queridinha.
Pequeninha.
Educadinha.
Enfim, uma mulher boazinha.
Fomos boazinhas por séculos.
Engolíamos tudo e fingíamos não ver nada, ceguinhas.
Vivíamos no nosso mundinho, rodeadas de panelinhas e nenezinhos.
A vida feminina era esse frege: bordados, paredes brancas,
crucifixo em cima da cama, tudo certinho.
Passamos um tempão assim, comportadinhas, enquanto íamos alimentando um
desejo incontrolável de virar a mesa.
Quietinhas, mas inquietas.
Até que chegou o dia em que deixamos de ser as coitadinhas.
Ninguém mais fala em namoradinhas do Brasil: somos atrizes,
estrelas, profissionais.
Adolescentes não são mais brotinhos: são garotas da geração teen.
Ser chamada de patricinha é ofensa mortal.
Pitchulinha é coisa de retardada.
Quem gosta de diminutivos, definha.
Ser boazinha não tem nada a ver com ser generosa.
Ser boa é bom, ser boazinha é péssimo.
As boazinhas não têm defeitos.
Não têm atitude.
Conformam-se com a coadjuvância.
PH neutro.
Ser chamada de boazinha, mesmo com a melhor das intenções,
é o pior dos desaforos.
Mulheres bacanas, complicadas, batalhadoras, persistentes, ciumentas,
apressadas, é isso que somos hoje.
Merecemos adjetivos velozes, produtivos, enigmáticos.
As “inhas” não moram mais aqui.
Foram para o espaço, sozinhas.
Martha Medeiros